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Os 12 menores mamíferos do mundo

Os menores mamíferos do planeta cabem na ponta de um dedo e pesam menos que uma moeda pequena. Mas a lista termina em torno de dois gramas, e isso não é coincidência: existe um limite físico abaixo do qual ser mamífero deixa de funcionar.

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Mamífero é um animal de sangue quente, ou seja, que mantém a própria temperatura interna acima da do ambiente. Manter calor custa energia, e a conta piora conforme o corpo encolhe. Um corpo pequeno tem muita superfície para pouco volume, e é pela superfície que o calor escapa. Por isso a taxa metabólica por grama de tecido dispara nos animais minúsculos: eles perdem calor rápido demais e precisam repor sem parar.

O resultado é um estilo de vida no limite. Um musaranho-pigmeu-etrusco tem batimentos cardíacos que passam de mil por minuto em atividade e come cerca de uma a duas vezes o próprio peso em presas por dia. Ficar algumas horas sem comer pode ser fatal. Descer abaixo de dois gramas exigiria uma taxa metabólica que nenhum coração, pulmão ou intestino de mamífero consegue sustentar — e é aí que a lista para.

Os candidatos ao topo desta lista mudam conforme o critério. Se o critério é massa, o musaranho-pigmeu-etrusco costuma vencer. Se é comprimento do corpo e do crânio, o título vai para o morcego-abelha da Tailândia. Como os dois giram em torno de dois gramas, a diferença é pequena o bastante para que fontes sérias discordem. A ordem abaixo segue a massa típica de adultos.

  1. 01

    Morcego-abelhaCraseonycteris thonglongyai

    1,5 a 2 g | 2,9 a 3,3 cm

    Também chamado de morcego-focinho-de-porco de Kitti, por causa do nariz achatado, é o mesmo animal com dois nomes populares. Vive em cavernas de calcário na Tailândia e em Mianmar, sai ao entardecer por poucos minutos e caça insetos minúsculos perto das copas. É o menor mamífero do mundo em comprimento, com o corpo pouco maior que a unha do polegar de um adulto.

  2. 02

    Musaranho-pigmeu-etruscoSuncus etruscus

    1,8 a 2,5 g | 3,5 a 4,8 cm

    O menor mamífero do mundo em massa, com distribuição que vai do sul da Europa ao sudeste asiático. Caça insetos e aranhas quase do próprio tamanho em fendas e sob pedras, e mata com mordidas extremamente rápidas. Vive no limite energético absoluto: o coração acelera acima de mil batimentos por minuto e o animal come praticamente o dia inteiro para não esfriar.

  3. 03

    Musaranho-anão-americanoSorex hoyi

    2 a 4 g | 5 a 6,5 cm

    O menor mamífero das Américas, presente em florestas e brejos do Canadá e do norte dos Estados Unidos. É tão discreto que passou décadas sendo considerado raro, quando na verdade só escapava das armadilhas comuns por ser leve demais para acioná-las. Percorre túneis abertos por outros animais na serapilheira caçando larvas, aranhas e insetos.

  4. 05

    Morcego-pipistrelo-comumPipistrellus pipistrellus

    3,5 a 8,5 g | 3,5 a 4,5 cm

    O menor morcego da Europa e um dos mais abundantes, comum em cidades, onde ocupa frestas de telhados e caixas de persiana. Um único indivíduo pode capturar alguns milhares de insetos por noite, quase todos mosquitos e outros dípteros pequenos. Cabe fechado dentro de uma caixa de fósforos, imagem que virou padrão em manuais europeus de identificação.

  5. 06

    Rato-de-bolso-sedosoPerognathus flavus

    6 a 9 g | 5,5 a 7 cm

    Roedor de desertos e campos áridos do sudoeste norte-americano, com bolsas forradas de pelo nas bochechas — daí o nome — usadas para carregar sementes até as tocas. Vive em ambiente seco e obtém quase toda a água que precisa do próprio alimento, poupando líquido com uma urina extremamente concentrada e evitando o calor do dia dentro do subsolo.

  6. 07

    Planador-pigmeuAcrobates pygmaeus

    10 a 14 g | 6,5 a 8 cm

    Marsupial australiano do tamanho de um camundongo, com uma membrana entre os membros que permite planar entre árvores por distâncias bem maiores que o comprimento do corpo. A cauda é achatada e franjada como uma pena, o que lhe rendeu o apelido de planador-pena. Alimenta-se de néctar, pólen e seiva de eucaliptos.

  7. 09

    CatitaGracilinanus microtarsus

    20 a 40 g | 8 a 12 cm

    Pequeno marsupial da Mata Atlântica e do Cerrado, parente distante do gambá e muitas vezes confundido com um camundongo por quem o encontra dentro de casa. Sobe bem, usa a cauda preênsil como apoio e come insetos, frutos e néctar. Em algumas populações os machos morrem em massa após a primeira estação reprodutiva, padrão conhecido como semelparidade.

  8. 10

    Musaranho-elefante-de-orelhas-curtasMacroscelides proboscideus

    25 a 50 g | 9 a 12 cm

    Apesar do nome, não é musaranho e nem parente de roedor: análises genéticas o colocam num grupo africano que inclui elefantes, peixes-boi e tenreques. Tem focinho móvel e comprido, usado para sondar formigas e cupins na areia do sul da África, e corre por trilhas fixas que mantém limpas para escapar em linha reta quando é perseguido.

  9. 11

    Tatu-pigmeu-rosadoChlamyphorus truncatus

    80 a 120 g | 9 a 15 cm

    O menor tatu do mundo, endêmico de áreas arenosas da Argentina. A carapaça rosada é fina, ligada ao corpo apenas ao longo da coluna, e funciona como radiador: irrigar ou não a pele por baixo dela ajuda a regular a temperatura. Passa quase toda a vida enterrado, escava com garras desproporcionais e raramente é visto na superfície.

Os extremos da lista, do mais leve ao mais pesado
PosiçãoAnimalMassa típicaGrupo
1Morcego-abelha1,5 a 2 gMorcego
2Musaranho-pigmeu-etrusco1,8 a 2,5 gMusaranho
5Morcego-pipistrelo-comum3,5 a 8,5 gMorcego
8Esquilo-pigmeu-africano15 a 20 gRoedor
11Tatu-pigmeu-rosado80 a 120 gTatu
12Sagui-pigmeu100 a 140 gPrimata
Os extremos da lista, do mais leve ao mais pesado

Note que a lista não é dominada por um grupo só. Há morcegos, musaranhos, roedores, dois marsupiais, um parente distante dos elefantes, um tatu e um primata. Miniaturização apareceu de forma independente em linhagens muito diferentes, quase sempre associada a um nicho estreito: fendas, túneis, cascas de árvore, insetos pequenos demais para interessar a concorrentes maiores.

O tamanho mínimo, porém, é o mesmo para todos, porque a física não muda. Quanto menor o corpo, maior a proporção de superfície por volume e mais rápida a perda de calor. É esse teto energético que explica por que os menores mamíferos param perto de dois gramas, enquanto insetos e beija-flores — que resolvem o problema de outras maneiras — conseguem ir bem mais longe.

Perguntas frequentes

Afinal, qual é o menor mamífero do mundo?

Depende do critério. Por massa corporal, o musaranho-pigmeu-etrusco costuma levar o título, com 1,8 a 2,5 g. Por comprimento do corpo e do crânio, o morcego-abelha vence, com 2,9 a 3,3 cm. Como os dois giram em torno de dois gramas, as duas respostas são aceitas.

Por que não existe um mamífero menor que isso?

Porque um corpo minúsculo perde calor rápido demais em relação ao volume que possui. Para compensar, o metabolismo teria de acelerar além do que coração, pulmões e intestino conseguem sustentar. Abaixo de aproximadamente dois gramas, o animal não consegue comer no ritmo necessário para não esfriar.

Qual é o menor mamífero do Brasil?

Entre os candidatos estão pequenos marsupiais como a catita e morcegos das famílias Vespertilionidae e Molossidae, alguns com poucos gramas. O sagui-pigmeu, também presente na Amazônia brasileira, é o menor macaco do mundo, mas está bem acima dessa faixa, na casa dos 100 a 140 g.

Musaranho é um tipo de rato?

Não. Musaranhos pertencem à ordem Eulipotyphla, mais próxima de toupeiras e ouriços do que de roedores. A confusão vem do formato: corpo pequeno, focinho pontudo e pelagem curta. Uma diferença prática é a dieta, quase toda de invertebrados, enquanto roedores costumam depender de sementes.

Esses animais vivem pouco?

Em geral, sim. Musaranhos raramente passam de um ou dois anos, e a expectativa curta acompanha o metabolismo acelerado. Morcegos são a grande exceção da lista: mesmo pesando poucos gramas, várias espécies ultrapassam dez anos, e algumas chegam a mais de vinte.

Curiosidade Recordes

O coração da baleia-azul pesa cerca de 180 kg e seus batimentos podem ser detectados a alguns quilômetros de distância.