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Antes dos números, uma advertência necessária: descobrir a idade de um animal selvagem é difícil. Nos casos mais confiáveis existe um registro físico de crescimento, como os anéis anuais na concha de um molusco ou as camadas de um esqueleto de coral, que podem ser contados como anéis de árvore. Nesses casos a margem de erro é de poucos anos.
Em outras espécies o cálculo é indireto. A idade do tubarão-da-groenlândia foi estimada pela datação por radiocarbono das proteínas do cristalino do olho, tecido que se forma antes do nascimento e não se renova. O método funciona, mas devolve uma faixa larga, e é por isso que se fala em 270 a 400 anos em vez de um valor exato.
Há ainda os recordes de cativeiro, que dependem de documentação humana e às vezes de tradição oral. Alguns são bem registrados; outros, como a carpa Hanako, são citados há décadas sem verificação independente. Cada item abaixo indica de onde vem o número.
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01
Esponja-vítreaMonorhaphis chuni
estimada em milhares de anos
Esponja de profundidade que se ancora no sedimento por uma única espícula de sílica, uma agulha de vidro que pode passar de 2 m. A análise química das camadas dessa espícula em um exemplar levou pesquisadores a estimar uma idade próxima de 11 mil anos, o que faria dela o animal individual mais velho já registrado. A estimativa depende da taxa de crescimento assumida.
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02
Coral-negroLeiopathes glaberrima
cerca de 4.200 anos
Colônias de coral-negro coletadas em águas profundas do Havaí foram datadas por radiocarbono em mais de 4 mil anos, com um exemplar em torno de 4.265 anos. Vale a distinção: trata-se de uma colônia de pólipos que cresce em camadas milimétricas por século, e não de um indivíduo isolado — mas o esqueleto vivo é contínuo desde o início.
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03
Verme-tubular de profundidadeEscarpia laminata
mais de 300 anos
Vive em infiltrações frias do Golfo do México, em colônias fixadas ao fundo. Pesquisadores mediram o crescimento de tubos marcados ao longo de anos e concluíram que muitos indivíduos passam de 200 anos, com parte da população provavelmente acima de 300. O metabolismo lentíssimo e a ausência de predadores no ambiente explicam boa parte da longevidade.
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04
Quaogue-do-atlânticoArctica islandica
507 anos (medido)
O molusco batizado de Ming, coletado na costa da Islândia em 2006, teve a idade determinada pela contagem dos anéis anuais da concha: 507 anos. É provavelmente o animal com idade individual mais bem documentada da lista, já que cada anel corresponde a um ciclo de crescimento. Ele nasceu, portanto, por volta de 1499.
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05
Tubarão-da-groenlândiaSomniosus microcephalus
270 a 400 anos (estimado)
O vertebrado mais longevo conhecido. A datação por radiocarbono do cristalino apontou, para a maior fêmea analisada, uma idade central perto de 390 anos dentro de uma faixa ampla. O animal cresce cerca de 1 cm por ano em água a 1 ou 2 graus e só atinge a maturidade sexual por volta dos 150 anos.
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06
Baleia-da-groenlândiaBalaena mysticetus
mais de 200 anos
O mamífero mais longevo que se conhece. A suspeita começou quando caçadores do Alasca encontraram pontas de arpão do século XIX cravadas em animais abatidos no fim do século XX. A confirmação veio pela análise de aminoácidos no cristalino, que apontou indivíduos acima de 200 anos, com uma estimativa de 211 anos para o mais velho.
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07
Ouriço-do-mar-vermelhoMesocentrotus franciscanus
100 a 200 anos
Ouriço da costa oeste da América do Norte cuja idade é estimada por marcação com tetraciclina, que deixa uma linha fluorescente nas placas do esqueleto. Os resultados indicam indivíduos acima de 100 anos e provavelmente perto de 200. O mais notável é que exemplares antigos continuam se reproduzindo com a mesma eficiência dos jovens.
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08
Peixe-vermelho-do-pacíficoSebastes aleutianus
até 205 anos
Conhecido em inglês como rougheye rockfish, é um dos peixes ósseos mais longevos já documentados. A idade é lida nos otólitos, pequenas estruturas calcificadas do ouvido interno que acumulam camadas anuais, e o recorde publicado fica em 205 anos. Vive em água fria e profunda do Pacífico Norte e cresce muito devagar.
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09
Esturjão-do-lagoAcipenser fulvescens
até 152 anos
Peixe de água doce dos Grandes Lagos, na América do Norte, com corpo coberto por placas ósseas em vez de escamas. O registro mais antigo bem documentado é de uma fêmea estimada em 152 anos. Fêmeas só começam a desovar entre 20 e 25 anos de idade, e depois disso o fazem apenas a cada três ou quatro anos.
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10
Tartaruga-radiadaAstrochelys radiata
188 anos
Tu'i Malila, tartaruga presenteada à família real de Tonga, morreu em 1965 com idade calculada em 188 anos a partir de registros históricos da chegada do animal à ilha. É o caso mais citado de longevidade em répteis com documentação escrita, ainda que a data inicial dependa de relatos do século XVIII.
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11
Tartaruga-gigante-de-aldabraAldabrachelys gigantea
mais de 190 anos
Jonathan, que vive na ilha de Santa Helena, é o animal terrestre vivo mais velho conhecido. Ele chegou à ilha em 1882 já adulto, o que situa o nascimento por volta de 1832. Continua ativo, embora tenha perdido olfato e boa parte da visão, e é alimentado à mão pela equipe que cuida dele.
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12
TuataraSphenodon punctatus
mais de 100 anos
Réptil da Nova Zelândia que não é lagarto: é o único sobrevivente de uma linhagem separada há mais de 200 milhões de anos. Cresce até por volta dos 35 anos e passa dos 100 com facilidade. Um macho chamado Henry se reproduziu pela primeira vez em cativeiro quando tinha algo em torno de 111 anos.
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13
CelacantoLatimeria chalumnae
cerca de 100 anos
Peixe considerado extinto até ser reencontrado vivo em 1938. Uma releitura das escamas publicada em 2021 corrigiu drasticamente as estimativas anteriores: em vez de 20 anos, a espécie vive perto de um século, com gestação de cerca de cinco anos e maturidade sexual entre 40 e 60 anos de idade.
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14
Carpa koiCyprinus rubrofuscus
226 anos (caso contestado)
A carpa Hanako, morta no Japão em 1977, teria vivido 226 anos segundo a leitura dos anéis de crescimento de suas escamas. O caso é famoso, mas nunca foi verificado de forma independente e é tratado com ceticismo. Koi bem cuidadas costumam alcançar de 40 a 70 anos, o que já é excepcional para um peixe ornamental.
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15
Água-viva imortalTurritopsis dohrnii
sem limite conhecido
Quando ferida, faminta ou estressada, esta água-viva de poucos milímetros reverte ao estágio de pólipo e recomeça o ciclo, num processo de transdiferenciação em que células adultas voltam a outro tipo celular. Em teoria, o ciclo pode se repetir sem fim. Na prática, ela é presa fácil, e ninguém acompanhou um único indivíduo por 100 anos.
| Animal | Idade | Método |
|---|---|---|
| Quaogue-do-atlântico | 507 anos | Contagem de anéis da concha |
| Coral-negro | cerca de 4.200 anos | Datação por radiocarbono |
| Tubarão-da-groenlândia | 270 a 400 anos | Radiocarbono no cristalino |
| Baleia-da-groenlândia | mais de 200 anos | Aminoácidos no cristalino |
| Peixe-vermelho-do-pacífico | 205 anos | Camadas nos otólitos |
| Tartaruga de Aldabra (Jonathan) | mais de 190 anos | Registro histórico |
Olhando o conjunto, um padrão salta aos olhos: quase todos vivem em água fria e profunda, crescem devagar e demoram muito para se reproduzir. Baixa temperatura significa metabolismo lento, menos dano oxidativo acumulado e um ritmo de vida esticado. Nas tartarugas terrestres, o efeito vem de outro caminho — corpo blindado, poucos predadores e envelhecimento muito gradual.
Também vale separar o que é medido do que é inferido. Anéis de concha, otólitos e camadas de esqueleto dão números sólidos. Radiocarbono e modelos de crescimento dão faixas. Casos históricos, como o da carpa Hanako, dependem de relatos. Todos são interessantes, mas não têm o mesmo peso — e vale desconfiar de listas que apresentam os três como se fossem a mesma coisa.
Perguntas frequentes
Qual é o animal mais velho do mundo?
Depende do critério. Entre os animais com idade individual bem medida, o molusco Ming, com 507 anos. Considerando colônias e estimativas indiretas, corais negros passam de 4 mil anos e uma esponja de profundidade foi estimada em milhares de anos.
Qual é o vertebrado mais longevo?
O tubarão-da-groenlândia, com estimativas entre 270 e 400 anos obtidas por datação do cristalino. Entre os mamíferos, o recorde é da baleia-da-groenlândia, com indivíduos acima de 200 anos.
A água-viva Turritopsis é mesmo imortal?
Ela é biologicamente imortal, e não invulnerável. Consegue reverter ao estágio de pólipo e reiniciar o ciclo quando está sob estresse, mas continua sujeita a predadores, doenças e falta de alimento. Na natureza, a maioria morre cedo.
Por que animais de água fria vivem mais?
Porque a temperatura baixa reduz a taxa metabólica, o que diminui o acúmulo de danos celulares ao longo do tempo. Esses animais também crescem devagar, amadurecem tarde e se reproduzem pouco, um conjunto de características associado à longevidade extrema.
Existe algum animal centenário no Brasil?
Sim. Jabutis podem passar dos 80 anos em cativeiro, tartarugas-verdes provavelmente ultrapassam os 80 na natureza e corais de águas profundas da costa brasileira crescem por séculos. Faltam, porém, estudos de datação como os feitos no Havaí e no Ártico.
O coração da baleia-azul pesa cerca de 180 kg e seus batimentos podem ser detectados a alguns quilômetros de distância.