Superpoderes

14 animais com visão noturna impressionante

Nenhum animal enxerga no escuro absoluto, porque visão depende de fótons e onde não há luz não há imagem. O que existe são olhos capazes de aproveitar quantidades ridiculamente pequenas de luz — e, em alguns casos, sentidos que substituem a visão por completo.

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A retina tem dois tipos principais de célula sensível à luz. Os cones respondem por cores e detalhes finos, mas só funcionam bem com boa iluminação. Os bastonetes são muito mais sensíveis, disparando com pouquíssimos fótons, e em troca entregam uma imagem com pouca cor e menos definição. Animais noturnos têm retinas dominadas por bastonetes: enxergam uma cena que nós veríamos como escuridão, só que em tons acinzentados e com contornos menos precisos.

O segundo truque é a camada refletora chamada tapetum lucidum, logo atrás da retina em gatos, cães, bois, jacarés e tubarões. A luz que atravessou a retina sem ser absorvida bate nessa camada e volta, dando uma segunda chance aos bastonetes. É por isso que os olhos desses animais aparecem acesos na foto com flash. Humanos não têm a camada, e o olho vermelho da fotografia é apenas o sangue da retina iluminado.

Há ainda a forma da pupila. Predadores de emboscada que caçam rente ao chão costumam ter pupila em fenda vertical, que abre e fecha numa amplitude bem maior que a redonda e ajuda a estimar distância pelo desfoque da cena. E existem animais que resolveram o problema fora do olho, com som ou com calor.

  1. 01

    CorujaOrdem Strigiformes

    Olhos tubulares fixos

    A coruja não tem olhos esféricos e sim tubulares, presos por um anel de ossos que impede qualquer movimento dentro da órbita. Esse formato aumenta a superfície de retina disponível e concentra muita luz num campo estreito. O preço é não conseguir mover o olhar, compensado por um pescoço que gira até cerca de 270 graus para cada lado.

  2. 02

    Gato-domésticoFelis catus

    Precisa de bem menos luz

    O gato reúne quase todos os recursos ao mesmo tempo: retina rica em bastonetes, córnea grande, tapetum lucidum bem desenvolvido e pupila que passa de uma fenda finíssima a um círculo quase do tamanho da íris. Estimativas comuns indicam que ele precisa de algo em torno de um sexto da luz que um humano exigiria para enxergar a mesma cena.

  3. 03

    JaguatiricaLeopardus pardalis

    Felino da madrugada

    Felino brasileiro de porte médio que concentra a caça entre o entardecer e o amanhecer, quando roedores, aves de solo e pequenos répteis estão em movimento. Além do tapetum, tem bigodes longos e ouvido apurado, e a visão noturna funciona menos como imagem nítida e mais como detector de contraste na folhagem.

  4. 05

    TársioFamília Tarsiidae

    Olho do tamanho do cérebro

    Este primata minúsculo do Sudeste Asiático tem cada globo ocular com volume próximo ao do próprio cérebro, algo sem paralelo entre os mamíferos. Curiosamente, ele não possui tapetum lucidum: compensou a falta aumentando o tamanho do olho até o limite, tanto que os globos não giram e o társio precisa virar a cabeça em quase meia volta para olhar para trás.

  5. 06

    Lêmure-rato-cinzentoMicrocebus murinus

    Tapetum de cristais

    Um dos menores primatas do mundo, ativo apenas de noite nas florestas de Madagascar. Diferentemente do társio, mantém um tapetum lucidum bem formado, e é por isso que uma lanterna aponta dezenas de pontinhos brilhantes na copa durante censos noturnos. A retina quase sem cones limita as cores, mas garante sensibilidade suficiente para saltar entre galhos finos no escuro.

  6. 07

    Jacaré-do-pantanalCaiman yacare

    Olhos vermelhos na lanterna

    Quem já apontou uma lanterna para um rio do Pantanal à noite conhece a cena: dezenas de pontos vermelhos boiando na superfície. São jacarés, e a cor vem do tapetum refletindo a luz de volta. A pupila é uma fenda vertical que se fecha quase por completo durante o dia, e os olhos ficam no topo do crânio para vigiar a margem com o corpo submerso.

  7. 09

    TubarãoSuperordem Selachimorpha

    Tapetum ajustável

    Muitos tubarões têm um tapetum lucidum formado por placas refletoras e, em algumas espécies, células com pigmento que deslizam sobre essas placas para reduzir o reflexo em água clara. Na prática, é uma cortina regulável: aberta em profundidade ou à noite, fechada quando há luz de sobra. Some-se a isso um olfato e uma linha lateral que trabalham quando a visão não basta.

  8. 10

    RenaRangifer tarandus

    Tapetum que muda de cor

    A rena passa meses de escuridão no inverno ártico e resolveu o problema de um jeito único: o tapetum muda de dourado no verão para azul-escuro no inverno, o que espalha mais luz dentro do olho e aumenta a sensibilidade, mesmo custando nitidez. Ela também enxerga na faixa do ultravioleta, o que faz urina, pelo de lobo e líquens aparecerem como manchas escuras na neve.

  9. 11

    LoboCanis lupus

    Caça em grupo ao anoitecer

    O lobo enxerga bem em luz baixa graças ao tapetum e a uma retina com muitos bastonetes, mas ganha pouco em cores e detalhes finos. O interessante é o conjunto: a visão acompanha o movimento da presa e dos companheiros de matilha, enquanto o rastreamento fica por conta do olfato, capaz de seguir uma trilha com horas de idade.

  10. 13

    MorcegoOrdem Chiroptera

    Imagem feita de som

    Morcegos enxergam, e alguns muito bem: a ideia de que são cegos é falsa. O que os grupos insetívoros fazem é adicionar outro sentido. Emitem pulsos ultrassônicos, quase sempre acima de 20 kHz, e reconstroem a cena pelo eco que volta. A resolução é boa o bastante para detectar um fio esticado no escuro e capturar mosquitos em pleno voo.

  11. 14

    Jararaca e demais víboras de fossetaSubfamília Crotalinae

    Enxerga calor

    Entre o olho e a narina, essas serpentes têm uma cavidade forrada por uma membrana cheia de terminações nervosas sensíveis ao infravermelho emitido por corpos quentes. Ela detecta diferenças de temperatura de frações de grau e o cérebro sobrepõe essa informação à imagem visual. É como enxergar o calor de um roedor a poucas dezenas de centímetros, na escuridão total.

Qual recurso resolve o problema em cada caso
RecursoExemploO que ele entrega
Retina de bastonetesCorujaSensibilidade alta, cores e detalhes reduzidos
Tapetum lucidumGato e jacaréSegunda passagem da luz pela retina
Pupila verticalGato e jacaréAmplitude maior de abertura e noção de distância
Olho giganteTársio e lula-giganteCaptação máxima sem camada refletora
EcolocalizaçãoMorcegoImagem construída por eco, sem depender de luz
Fosseta lorealJararacaDetecção do calor do corpo da presa
Qual recurso resolve o problema em cada caso

Repare que quase nenhuma dessas espécies depende de um recurso só. A coruja combina olho tubular com audição capaz de localizar um rato pela variação de som entre os ouvidos; o lobo junta visão de contraste e olfato; a jararaca sobrepõe imagem e calor. Visão noturna, no fim das contas, é quase sempre um conjunto de sentidos trabalhando junto.

Vale lembrar o outro lado: retinas montadas para pouca luz sofrem com excesso dela. Por isso muitos desses animais ficam desorientados sob faróis, e a iluminação artificial em beiras de estrada afeta de verdade a caça e a reprodução da fauna noturna.

Perguntas frequentes

Por que os olhos de alguns animais brilham na foto e os nossos não?

O brilho é o reflexo do tapetum lucidum, uma camada espelhada atrás da retina que devolve a luz não absorvida. Humanos não têm essa camada, e o olho vermelho das fotos é apenas o flash iluminando os vasos de sangue do fundo do olho.

Animais noturnos enxergam cores?

Muito pouco. A retina deles é dominada por bastonetes, que são sensíveis à intensidade da luz, não ao comprimento de onda. A cena resultante é próxima de uma imagem em tons de cinza, com bom contraste e definição menor que a nossa em plena luz do dia.

Existe algum animal que enxerga no escuro total?

Não, porque visão exige fótons. O que existe são espécies que dispensam a luz usando outro sentido: morcegos com ecolocalização, víboras com detecção de infravermelho e peixes que leem campos elétricos e vibrações na água.

Para que serve a pupila em fenda vertical?

Ela abre e fecha numa faixa muito maior que a pupila redonda, o que ajuda animais ativos de dia e de noite. A fenda também gera um padrão de desfoque que facilita estimar distância, vantagem para quem caça de emboscada rente ao chão.

Curiosidade Superpoderes

O tardígrado sobrevive ao vácuo, à radiação e a temperaturas próximas de -272 °C entrando em criptobiose, com metabolismo perto de zero.