Superpoderes

12 animais que mudam de cor

Mudar de cor pode significar coisas muito diferentes. Há animais que reorganizam pigmentos em milésimos de segundo, outros que ajustam cristais dentro da pele e ainda os que trocam a pelagem inteira duas vezes por ano. O resultado é parecido; o mecanismo, nem um pouco.

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O caminho mais comum é o dos cromatóforos: células da pele que carregam grânulos de pigmento e conseguem espalhá-los ou concentrá-los. Quando os grânulos se espalham, a cor aparece; quando se juntam num ponto, ela some. Em peixes e répteis esse ajuste é hormonal e leva minutos. Em polvos, lulas e chocos, cada cromatóforo é controlado por músculos ligados diretamente ao cérebro, e por isso a mudança acontece em frações de segundo.

O segundo caminho é físico, não químico. Em vez de pigmento, a pele contém iridóforos com nanocristais de guanina organizados em rede. A cor nasce da forma como essa rede reflete a luz, e basta afastar ou aproximar os cristais para mudar o comprimento de onda refletido. É assim que o camaleão passa de verde a amarelo ou laranja — ele não tem pigmento vermelho para exibir, ele reconfigura a própria estrutura da pele.

O terceiro caminho é o mais lento e o mais radical: a muda sazonal. Aves e mamíferos de regiões frias trocam pelos e penas em resposta ao encurtamento dos dias, substituindo a cobertura marrom do verão por outra branca. Não há ajuste fino nem controle voluntário; é uma troca completa que leva semanas.

  1. 01

    Camaleão-panteraFurcifer pardalis

    Nanocristais de guanina

    O caso mais famoso e o mais mal explicado. Ele não muda de cor para imitar o fundo: muda para regular temperatura e, principalmente, para comunicar estado de espírito a outros camaleões. Machos em disputa passam de verde a amarelo e vermelho vivo em segundos, afastando os nanocristais de guanina dentro dos iridóforos e alterando o comprimento de onda refletido pela pele.

  2. 02

    Polvo-comumOctopus vulgaris

    Muda em 0,2 segundo

    O melhor camuflador do oceano combina três camadas: cromatóforos musculares para a cor, iridóforos para o brilho metálico e leucóforos para o branco. Além disso, ele muda a textura da pele com papilas que se levantam e imitam algas ou coral. Tudo isso em menos de um segundo, ainda que o animal seja provavelmente incapaz de enxergar cores.

  3. 03

    ChocoSepia officinalis

    Nuvem que passa

    Além da camuflagem, o choco exibe o chamado padrão da nuvem passageira: faixas escuras que percorrem o corpo em ondas contínuas e hipnotizam pequenos caranguejos e camarões antes do bote. Machos menores chegam a exibir cor de fêmea em um lado do corpo e cor de macho no outro, enganando rivais enquanto cortejam.

  4. 05

    LinguadoFamília Bothidae

    Copia o fundo

    Peixe achatado que passa a vida deitado sobre o substrato e reproduz na pele o padrão do fundo em que pousou: areia fina, cascalho, manchas escuras. Experimentos clássicos colocaram linguados sobre tabuleiros xadrez e registraram uma aproximação grosseira do padrão, o que mostra que a leitura é feita pelos olhos e traduzida em cromatóforos.

  5. 06

    Cavalo-marinhoHippocampus reidi

    Muda em minutos

    Vive agarrado a algas e gorgônias e ajusta a cor ao poleiro escolhido ao longo de minutos a horas. A mudança também tem função social: durante o cortejo diário, casais clareiam bastante e executam uma dança sincronizada. É uma exibição que só faz sentido porque a cor comum do animal é discreta.

  6. 07

    Peixe-pedraSynanceia verrucosa

    Mudança lenta, de semanas

    Aqui a transformação é vagarosa. O peixe-pedra ajusta tonalidade e até deixa algas e organismos se instalarem sobre a pele rugosa, num processo que leva semanas e o torna praticamente indistinguível de uma rocha coberta. É camuflagem por acúmulo, não por reflexo rápido — e é o que permite o bote instantâneo contra quem passa por perto.

  7. 09

    Lebre-do-árticoLepus arcticus

    Duas mudas por ano

    Marrom-acinzentada no verão, branca no inverno. A troca é disparada pelo comprimento do dia, não pela neve, e leva algumas semanas. Com invernos mais curtos, populações do hemisfério norte vêm sendo flagradas brancas sobre solo escuro por semanas seguidas, o que aumenta muito o risco de predação.

  8. 10

    Raposa-do-árticoVulpes lagopus

    Branca no inverno

    A pelagem branca de inverno é também a mais densa e isolante entre os canídeos, o que ajuda a raposa a suportar temperaturas abaixo de 40 graus negativos. No verão ela fica marrom-acinzentada e bem mais rala. Existe ainda uma variedade azul, comum em ilhas sem neve permanente, que permanece escura o ano inteiro.

  9. 11

    ArminhoMustela erminea

    Branco com ponta preta

    No inverno, o arminho fica todo branco menos a ponta da cauda, que continua preta. A explicação mais aceita é que essa mancha escura funciona como isca visual: aves de rapina miram o ponto de contraste e erram o corpo do animal. A pelagem branca de inverno é a que ficou conhecida na heráldica europeia.

Mecanismos de mudança de cor
MecanismoExemploTempo da mudança
Cromatóforos com controle nervosoPolvo, choco, lulaFrações de segundo
Nanocristais de guaninaCamaleão-panteraSegundos a minutos
Cromatóforos com controle hormonalLinguado, papa-ventoMinutos a horas
Acúmulo de organismos na pelePeixe-pedraSemanas
Muda de pelagem ou plumagemLebre-do-ártico, lagópodeSemanas, duas ou três vezes por ano
Mecanismos de mudança de cor

Comparando os doze casos, aparecem três velocidades bem distintas. Cefalópodes mudam em frações de segundo, com controle nervoso direto. Répteis e peixes levam de minutos a horas, porque dependem de hormônios circulando. Mamíferos e aves de clima frio levam semanas e não têm nenhum controle sobre o processo, que é disparado pela duração do dia.

Essa diferença explica por que a mudança sazonal está virando um problema. O gatilho é a luz, e não a neve; com invernos mais curtos, animais brancos ficam expostos sobre fundo escuro exatamente quando estão mais visíveis. Quem muda em segundos, como o polvo, simplesmente corrige o erro na hora.

Perguntas frequentes

O camaleão muda de cor para se camuflar?

Raramente. A cor de repouso dele já é discreta o suficiente. As mudanças rápidas servem sobretudo para comunicação entre indivíduos e para regulação térmica: tons escuros absorvem mais calor pela manhã, tons claros refletem no calor do meio-dia.

Como o polvo se camufla se ele não enxerga cores?

A retina do polvo tem um único tipo de fotorreceptor, o que indica visão em preto e branco. Uma das hipóteses é que ele leia contraste e luminosidade com precisão altíssima; outra é que a própria pele contenha proteínas sensíveis à luz. O assunto ainda não está resolvido.

Qual a diferença entre mudar de cor e mudar de pelagem?

Mudar de cor é ajustar a pele existente, por pigmento ou por estrutura, de forma reversível e rápida. Mudar de pelagem é trocar fisicamente os pelos ou as penas, um processo de semanas disparado pelo comprimento do dia e sem controle voluntário.

Existe algum animal brasileiro que muda de cor?

Vários. O polvo-comum e o cavalo-marinho do litoral, linguados de fundo arenoso, além de pererecas do gênero Scinax, que clareiam ou escurecem conforme a temperatura e a luz ao longo do dia.

Curiosidade Superpoderes

O tardígrado sobrevive ao vácuo, à radiação e a temperaturas próximas de -272 °C entrando em criptobiose, com metabolismo perto de zero.