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O caminho mais comum é o dos cromatóforos: células da pele que carregam grânulos de pigmento e conseguem espalhá-los ou concentrá-los. Quando os grânulos se espalham, a cor aparece; quando se juntam num ponto, ela some. Em peixes e répteis esse ajuste é hormonal e leva minutos. Em polvos, lulas e chocos, cada cromatóforo é controlado por músculos ligados diretamente ao cérebro, e por isso a mudança acontece em frações de segundo.
O segundo caminho é físico, não químico. Em vez de pigmento, a pele contém iridóforos com nanocristais de guanina organizados em rede. A cor nasce da forma como essa rede reflete a luz, e basta afastar ou aproximar os cristais para mudar o comprimento de onda refletido. É assim que o camaleão passa de verde a amarelo ou laranja — ele não tem pigmento vermelho para exibir, ele reconfigura a própria estrutura da pele.
O terceiro caminho é o mais lento e o mais radical: a muda sazonal. Aves e mamíferos de regiões frias trocam pelos e penas em resposta ao encurtamento dos dias, substituindo a cobertura marrom do verão por outra branca. Não há ajuste fino nem controle voluntário; é uma troca completa que leva semanas.
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01
Camaleão-panteraFurcifer pardalis
Nanocristais de guanina
O caso mais famoso e o mais mal explicado. Ele não muda de cor para imitar o fundo: muda para regular temperatura e, principalmente, para comunicar estado de espírito a outros camaleões. Machos em disputa passam de verde a amarelo e vermelho vivo em segundos, afastando os nanocristais de guanina dentro dos iridóforos e alterando o comprimento de onda refletido pela pele.
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02
Polvo-comumOctopus vulgaris
Muda em 0,2 segundo
O melhor camuflador do oceano combina três camadas: cromatóforos musculares para a cor, iridóforos para o brilho metálico e leucóforos para o branco. Além disso, ele muda a textura da pele com papilas que se levantam e imitam algas ou coral. Tudo isso em menos de um segundo, ainda que o animal seja provavelmente incapaz de enxergar cores.
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03
ChocoSepia officinalis
Nuvem que passa
Além da camuflagem, o choco exibe o chamado padrão da nuvem passageira: faixas escuras que percorrem o corpo em ondas contínuas e hipnotizam pequenos caranguejos e camarões antes do bote. Machos menores chegam a exibir cor de fêmea em um lado do corpo e cor de macho no outro, enganando rivais enquanto cortejam.
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04
Lula-de-recifeSepioteuthis sepioidea
Cor como linguagem
Nas lulas, a mudança de cor virou sistema de comunicação. Pesquisadores catalogaram dezenas de padrões distintos usados em cortejo, disputa e alarme, muitos deles trocados em sequência, como frases. Uma mesma lula pode enviar sinais diferentes para os dois lados do corpo, conforme quem está de cada lado.
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05
LinguadoFamília Bothidae
Copia o fundo
Peixe achatado que passa a vida deitado sobre o substrato e reproduz na pele o padrão do fundo em que pousou: areia fina, cascalho, manchas escuras. Experimentos clássicos colocaram linguados sobre tabuleiros xadrez e registraram uma aproximação grosseira do padrão, o que mostra que a leitura é feita pelos olhos e traduzida em cromatóforos.
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06
Cavalo-marinhoHippocampus reidi
Muda em minutos
Vive agarrado a algas e gorgônias e ajusta a cor ao poleiro escolhido ao longo de minutos a horas. A mudança também tem função social: durante o cortejo diário, casais clareiam bastante e executam uma dança sincronizada. É uma exibição que só faz sentido porque a cor comum do animal é discreta.
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07
Peixe-pedraSynanceia verrucosa
Mudança lenta, de semanas
Aqui a transformação é vagarosa. O peixe-pedra ajusta tonalidade e até deixa algas e organismos se instalarem sobre a pele rugosa, num processo que leva semanas e o torna praticamente indistinguível de uma rocha coberta. É camuflagem por acúmulo, não por reflexo rápido — e é o que permite o bote instantâneo contra quem passa por perto.
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08
Papa-ventoAnolis carolinensis
Verde e marrom
Esse pequeno lagarto americano alterna entre verde vivo e marrom em poucos minutos, sob controle de um hormônio. Ao contrário do que muita gente pensa, a mudança responde mais à temperatura, à luz e ao estresse do que ao fundo. Um indivíduo submisso, após perder uma disputa, costuma ficar marrom e assim permanecer.
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09
Lebre-do-árticoLepus arcticus
Duas mudas por ano
Marrom-acinzentada no verão, branca no inverno. A troca é disparada pelo comprimento do dia, não pela neve, e leva algumas semanas. Com invernos mais curtos, populações do hemisfério norte vêm sendo flagradas brancas sobre solo escuro por semanas seguidas, o que aumenta muito o risco de predação.
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10
Raposa-do-árticoVulpes lagopus
Branca no inverno
A pelagem branca de inverno é também a mais densa e isolante entre os canídeos, o que ajuda a raposa a suportar temperaturas abaixo de 40 graus negativos. No verão ela fica marrom-acinzentada e bem mais rala. Existe ainda uma variedade azul, comum em ilhas sem neve permanente, que permanece escura o ano inteiro.
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ArminhoMustela erminea
Branco com ponta preta
No inverno, o arminho fica todo branco menos a ponta da cauda, que continua preta. A explicação mais aceita é que essa mancha escura funciona como isca visual: aves de rapina miram o ponto de contraste e erram o corpo do animal. A pelagem branca de inverno é a que ficou conhecida na heráldica europeia.
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Lagópode-brancoLagopus muta
Três plumagens por ano
A única ave conhecida com três mudas anuais. Ela passa por uma plumagem de inverno completamente branca, uma de primavera salpicada e uma de verão marrom-malhada, sempre acompanhando o estado do terreno na tundra. Os machos ainda atrasam a muda de primavera para continuar visíveis durante o período de cortejo.
| Mecanismo | Exemplo | Tempo da mudança |
|---|---|---|
| Cromatóforos com controle nervoso | Polvo, choco, lula | Frações de segundo |
| Nanocristais de guanina | Camaleão-pantera | Segundos a minutos |
| Cromatóforos com controle hormonal | Linguado, papa-vento | Minutos a horas |
| Acúmulo de organismos na pele | Peixe-pedra | Semanas |
| Muda de pelagem ou plumagem | Lebre-do-ártico, lagópode | Semanas, duas ou três vezes por ano |
Comparando os doze casos, aparecem três velocidades bem distintas. Cefalópodes mudam em frações de segundo, com controle nervoso direto. Répteis e peixes levam de minutos a horas, porque dependem de hormônios circulando. Mamíferos e aves de clima frio levam semanas e não têm nenhum controle sobre o processo, que é disparado pela duração do dia.
Essa diferença explica por que a mudança sazonal está virando um problema. O gatilho é a luz, e não a neve; com invernos mais curtos, animais brancos ficam expostos sobre fundo escuro exatamente quando estão mais visíveis. Quem muda em segundos, como o polvo, simplesmente corrige o erro na hora.
Perguntas frequentes
O camaleão muda de cor para se camuflar?
Raramente. A cor de repouso dele já é discreta o suficiente. As mudanças rápidas servem sobretudo para comunicação entre indivíduos e para regulação térmica: tons escuros absorvem mais calor pela manhã, tons claros refletem no calor do meio-dia.
Como o polvo se camufla se ele não enxerga cores?
A retina do polvo tem um único tipo de fotorreceptor, o que indica visão em preto e branco. Uma das hipóteses é que ele leia contraste e luminosidade com precisão altíssima; outra é que a própria pele contenha proteínas sensíveis à luz. O assunto ainda não está resolvido.
Qual a diferença entre mudar de cor e mudar de pelagem?
Mudar de cor é ajustar a pele existente, por pigmento ou por estrutura, de forma reversível e rápida. Mudar de pelagem é trocar fisicamente os pelos ou as penas, um processo de semanas disparado pelo comprimento do dia e sem controle voluntário.
Existe algum animal brasileiro que muda de cor?
Vários. O polvo-comum e o cavalo-marinho do litoral, linguados de fundo arenoso, além de pererecas do gênero Scinax, que clareiam ou escurecem conforme a temperatura e a luz ao longo do dia.
O tardígrado sobrevive ao vácuo, à radiação e a temperaturas próximas de -272 °C entrando em criptobiose, com metabolismo perto de zero.