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Como reconhecer o pinguim-de-Magalhães
É um pinguim de porte médio, entre 60 e 76 cm de altura, com o dorso preto e o ventre branco. A marca registrada são duas faixas escuras em forma de ferradura atravessando o peito e a garganta, além de uma faixa branca que contorna a cabeça por cima dos olhos. Há também pele nua rosada em volta dos olhos e na base do bico.
Filhotes e jovens não têm as faixas peitorais definidas e apresentam tom acinzentado — e, como a maioria dos animais que chega ao litoral brasileiro é justamente juvenil, esse é o padrão mais comum de ser encontrado. O nome homenageia Fernão de Magalhães, cuja expedição registrou as aves na costa patagônica em 1520.
- Duas faixas pretas no peito, em forma de ferradura.
- Faixa branca contornando a cabeça, acima dos olhos.
- Pele nua rosada ao redor dos olhos e na base do bico.
- Jovens acinzentados e sem faixas peitorais definidas.
Um corpo construído para mergulhar
Pinguins são aves que trocaram o voo aéreo pelo voo submerso. Os ossos não são pneumáticos como os das aves voadoras: são densos e maciços, o que reduz a flutuação e economiza energia na descida. As asas viraram nadadeiras rígidas, que geram propulsão tanto na descida quanto na subida.
A plumagem é o isolante. As penas são curtas, rígidas e muito sobrepostas, formando uma barreira quase impermeável que retém ar junto à pele; sob ela, uma camada de gordura completa o trabalho. É por isso que um pinguim sujo de óleo perde a capacidade de se aquecer. Beber água salgada também não é problema: glândulas acima dos olhos filtram o sal do sangue e o eliminam pelas narinas.
A vida na Patagônia: tocas, casais e a muda anual
As colônias reprodutivas ficam no sul da Argentina, no Chile e nas Ilhas Malvinas. A maior colônia continental é Punta Tombo, em Chubut, que reúne centenas de milhares de aves. Os pinguins chegam entre setembro e outubro, e o retorno é notavelmente preciso: cada ave procura a mesma toca e o mesmo parceiro dos anos anteriores.
A espécie nidifica em galerias escavadas no solo ou sob arbustos, o que a diferencia dos pinguins antárticos, que fazem ninhos de pedras a céu aberto. A fêmea põe dois ovos, incubados por cerca de 40 dias em revezamento: enquanto um cuida do ninho, o outro passa dias no mar se alimentando.
Ao final da temporada vem a muda anual. Diferente da maioria das aves, o pinguim troca toda a plumagem de uma vez, em duas a três semanas nas quais não pode entrar no mar. Passa esse tempo em terra, em jejum, e só depois migra para o norte.
- Punta Tombo, na Argentina, é a maior colônia continental da espécie.
- Casais são fiéis ao mesmo ninho e ao mesmo parceiro por muitos anos.
- Postura de dois ovos, com incubação de cerca de 40 dias.
- A muda anual dura de duas a três semanas, com jejum completo em terra.
Por que eles aparecem nas praias brasileiras
Encerrada a temporada reprodutiva, os pinguins passam meses no mar. A Corrente das Malvinas, fria e rica em nutrientes, sobe pela costa atlântica levando os cardumes de anchoíta, sardinha e lula que formam a base da dieta. Os pinguins acompanham essa massa de água e chegam com regularidade ao Rio Grande do Sul, a Santa Catarina, ao Paraná, a São Paulo e ao Rio de Janeiro, sobretudo entre junho e setembro. Em anos de correntes mais intensas, aparecem até na Bahia.
A grande maioria dos animais que encalha é juvenil, nascida na temporada anterior. São aves sem experiência de pesca, que gastam mais energia para capturar menos comida e, ao chegar a águas quentes e pobres, esgotam as reservas. Enfraquecidas, são empurradas até a areia, muitas vezes desidratadas ou com o trato digestivo obstruído por plástico.
Ou seja: ver pinguins no Brasil é normal; ver dezenas encalhados no mesmo trecho de praia não é. Encalhes em massa costumam estar ligados a temporadas ruins de alimento, tempestades ou contaminação por óleo.
Encontrou um pinguim na praia? O que fazer
A primeira regra é não devolver o animal ao mar. Um pinguim que chegou à areia está, quase sempre, sem energia para nadar; jogá-lo de volta significa condená-lo ao afogamento. A segunda regra é não oferecer comida nem água: peixe cru dado por pessoa não treinada pode causar aspiração e matar a ave.
O correto é manter distância, evitar aglomeração de pessoas e cachorros e acionar quem tem estrutura para atender: os projetos de monitoramento de praias, os órgãos ambientais estaduais, a Polícia Ambiental ou o Ibama. Se houver risco imediato, contenha o animal em caixa de papelão ventilada, em local sombreado.
- Não devolva o pinguim ao mar por conta própria.
- Não ofereça peixe, água ou qualquer alimento.
- Não molhe o animal nem tente lavá-lo.
- Mantenha pessoas e cães afastados e acione o órgão ambiental da região.
- Pinguim não é bicho de estimação: o bico machuca e manter fauna silvestre em casa é crime.
Ameaças e conservação
A poluição por óleo é a ameaça mais visível: mesmo uma mancha pequena compromete a impermeabilidade da plumagem, e a ave ingere o produto ao limpar as penas. Há pressões mais silenciosas — a pesca industrial disputa os mesmos cardumes, redes de emalhe capturam pinguins acidentalmente e o plástico aparece no trato digestivo dos encalhados.
A classificação atual da IUCN é de pouco preocupante, depois de anos como quase ameaçada, mas o número total esconde diferenças grandes entre colônias. É por isso que o monitoramento de encalhes no Brasil tem valor científico: funciona como termômetro do que acontece a milhares de quilômetros dali.
| Espécie | Altura | Peso | Onde se reproduz |
|---|---|---|---|
| Pinguim-de-Magalhães | 60 a 76 cm | 2,7 a 6,5 kg | Argentina, Chile e Ilhas Malvinas |
| Pinguim-imperador | 100 a 130 cm | 22 a 45 kg | Antártida |
| Pinguim-de-Humboldt | 56 a 70 cm | 3,6 a 5,9 kg | Costa do Peru e do Chile |
| Pinguim-azul | 30 a 40 cm | 0,9 a 1,5 kg | Austrália e Nova Zelândia |
| Pinguim-de-Galápagos | cerca de 50 cm | 1,7 a 2,6 kg | Ilhas Galápagos, na linha do Equador |
10 curiosidades sobre a pinguim-de-magalhães
- 01
É a espécie de pinguim que aparece com mais frequência no litoral brasileiro.
- 02
Ele chega ao Brasil todo ano acompanhando a Corrente das Malvinas.
- 03
A maioria dos animais encalhados é de jovens do ano anterior, inexperientes na pesca.
- 04
Os ossos são densos e maciços, ao contrário dos ossos ocos das aves voadoras.
- 05
Glândulas acima dos olhos filtram o sal do sangue e o eliminam pelas narinas.
- 06
A espécie nidifica em tocas escavadas no solo, e não em ninhos de pedra.
- 07
Casais são fiéis ao mesmo ninho e ao mesmo parceiro por muitos anos seguidos.
- 08
Uma vez por ano ele troca toda a plumagem de uma só vez e passa semanas em jejum.
- 09
O nome homenageia Fernão de Magalhães, cuja expedição registrou a espécie em 1520.
- 10
Devolver ao mar um pinguim encalhado costuma matá-lo: ele já está sem energia para nadar.
Perguntas frequentes
Por que aparecem pinguins nas praias do Brasil?
Porque a rota migratória da espécie passa pela costa brasileira. Depois da temporada reprodutiva na Patagônia, eles seguem a Corrente das Malvinas rumo ao norte, acompanhando os cardumes. A presença entre o outono e a primavera é esperada; o que preocupa é a quantidade de aves que chega debilitada.
O que fazer ao encontrar um pinguim na areia?
Não devolva o animal ao mar, não ofereça comida ou água e não o molhe. Mantenha pessoas e cães afastados e acione o projeto de monitoramento de praias da região, a Polícia Ambiental ou o órgão ambiental local. Se for preciso contê-lo, use uma caixa de papelão com furos, em local sombreado.
Por que os pinguins que chegam ao Brasil são quase sempre jovens?
Porque aves de primeiro ano ainda estão aprendendo a caçar. Elas gastam mais energia por peixe capturado e acabam levadas pelas correntes para águas quentes e pobres em alimento. Sem reservas, param de nadar contra a corrente e chegam à areia.
A que profundidade o pinguim-de-Magalhães mergulha?
A maior parte dos mergulhos de alimentação fica entre 20 e 50 m, com registros mais fundos quando os cardumes estão baixos. Cada mergulho costuma durar menos de dois minutos, e a ave alterna séries de mergulhos com descansos curtos na superfície.
O pinguim-de-Magalhães está ameaçado de extinção?
A avaliação atual da IUCN o classifica como pouco preocupante, depois de anos como quase ameaçado. Ainda assim, várias colônias vêm encolhendo por causa da poluição por óleo, da captura acidental em redes e do deslocamento dos cardumes.