Aves

Os 15 pássaros mais coloridos do Brasil

O Brasil tem mais de 1.900 espécies de aves registradas, e boa parte da fama do país entre observadores vem justamente da cor. Antes da lista, vale entender que nem toda cor de pena é tinta: muita coisa que parece pigmento é, na verdade, física.

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As cores de pigmento vêm de moléculas depositadas na pena. As melaninas produzem pretos, marrons e cinzas e deixam a pena mais resistente ao desgaste. Os carotenoides respondem por amarelos, laranjas e vermelhos, e a ave não consegue fabricá-los: precisa obtê-los na dieta, a partir de frutos, sementes e insetos. Por isso a intensidade do vermelho de um macho costuma funcionar como propaganda honesta — só exibe cor forte quem está bem alimentado e saudável.

O azul segue outra lógica. Não se conhece pigmento azul em penas de aves. O que existe é uma estrutura: as barbas da pena têm um arranjo de queratina e bolsas de ar em escala nanométrica que espalha os comprimentos de onda curtos e absorve o resto, com o preto da melanina ao fundo aumentando o contraste. É a chamada cor estrutural. Uma pena azul triturada perde o azul e vira pó acinzentado, enquanto uma pena vermelha triturada continua vermelha.

Boa parte dos verdes é uma mistura dos dois mecanismos: estrutura azul recoberta por pigmento amarelo. Nos papagaios e araras há ainda um caso à parte, o das psitacofulvinas, pigmentos vermelhos e amarelos que esse grupo produz por conta própria, sem depender da dieta. Já a iridescência dos beija-flores é cor estrutural levada ao extremo, e muda conforme o ângulo de observação.

  1. 01

    Arara-azul-grandeAnodorhynchus hyacinthinus

    Pantanal e Cerrado

    O maior papagaio voador do mundo, com cerca de 1 m da cabeça à ponta da cauda, todo azul-cobalto com anel amarelo ao redor do olho e na base do bico. O azul é inteiramente estrutural. Depende de palmeiras como acuri e bocaiúva para comer e de árvores grandes, sobretudo o manduvi, para nidificar.

  2. 02

    Arara-canindéAra ararauna

    Amazônia, Cerrado e Pantanal

    A combinação de dorso azul-turquesa e peito amarelo-ouro é uma das imagens mais reconhecíveis da fauna brasileira. O amarelo vem de psitacofulvinas produzidas pela própria ave, e o azul da estrutura das penas. Anda em casais fiéis por anos e faz longos deslocamentos diários entre os dormitórios e as áreas de alimentação.

  3. 03

    Arara-vermelha-grandeAra chloropterus

    Amazônia e Cerrado

    Vermelho intenso no corpo, faixas verdes nas asas e azul nas penas de voo, com a face branca riscada por linhas finas de penugem avermelhada. É uma das araras que frequentam barreiros e paredões de arenito para ingerir argila, hábito ligado à neutralização de compostos tóxicos presentes em algumas sementes da dieta.

  4. 05

    Araçari-de-bico-brancoPteroglossus aracari

    Mata Atlântica e Amazônia

    Versão menor e mais esguia do tucano, com dorso escuro esverdeado, peito amarelo cortado por uma faixa vermelha e o bico marcado de branco e preto. Vive em bandos pequenos e barulhentos, dorme em ocos de árvore com vários indivíduos amontoados e é importante dispersor de sementes de frutos médios.

  5. 06

    Saíra-sete-coresTangara seledon

    Mata Atlântica

    Considerada por muitos a ave mais colorida do país. Reúne verde-turquesa na cabeça, laranja na nuca, azul no peito, amarelo na base do dorso e preto nas asas. A maior parte desse mosaico é cor estrutural com pigmento por cima. Anda em bandos mistos e visita comedouros em regiões serranas do Sudeste e do Sul.

  6. 07

    Saí-azulDacnis cayana

    Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado

    O macho é azul-turquesa com máscara, dorso e asas pretas, e a fêmea é verde, o que faz muita gente achar que são espécies diferentes. É um bom exemplo do azul estrutural: sob luz direta ele parece elétrico, e na sombra escurece bastante. Come frutos pequenos, néctar e insetos, e frequenta quintais arborizados.

  7. 09

    Tiê-sangueRamphocelus bresilia

    Mata Atlântica

    Endêmico da Mata Atlântica, o macho é vermelho-escarlate com asas e cauda pretas e o bico com uma base prateada bem visível. O vermelho depende de carotenoides da dieta convertidos pelo organismo, e machos com cor mais saturada tendem a ocupar melhores territórios. O nome científico é uma homenagem direta ao país.

  8. 10

    Galo-da-serraRupicola rupicola

    Amazônia

    Laranja intenso da cabeça à cauda, com um topete em forma de meia-lua que cobre quase todo o bico. Vive em afloramentos rochosos do norte da Amazônia e reúne machos em arenas coletivas, chamadas leks, onde eles se exibem em turnos enquanto as fêmeas, de tom oliva discreto, escolhem com quem acasalar.

  9. 11

    Anambé-azulCotinga cotinga

    Amazônia

    O macho tem um azul-turquesa luminoso com a garganta e o ventre num roxo profundo, combinação difícil de acreditar na primeira vez que se vê. Vive no alto do dossel amazônico, o que o torna pouco observado apesar da cor. Como quase todo azul de ave, o efeito vem da microestrutura das penas, não de tinta.

  10. 13

    Martim-pescador-grandeMegaceryle torquata

    Áreas ribeirinhas de todo o país

    Azul-acinzentado nas costas, peito castanho-avermelhado e um topete despenteado, é o maior martim-pescador das Américas. Caça mergulhando de um poleiro ou depois de pairar sobre a água, e o azul do dorso é mais um caso de cor estrutural, que parece mais vivo sob sol forte e apaga em dias nublados.

  11. 14

    Beija-flor-tesouraEupetomena macroura

    Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica

    Cabeça e peito num azul-violeta intenso, corpo verde metálico e cauda longa e bifurcada que dá nome à espécie. A cor é iridescente: depende do ângulo, e o mesmo indivíduo pode parecer quase preto de um lado e brilhante do outro. Territorialista, expulsa beija-flores maiores das flores que considera suas.

  12. 15

    Cardeal-do-nordesteParoaria dominicana

    Caatinga

    Cabeça e garganta em vermelho-vivo, dorso cinza-escuro e ventre branco, num contraste que se destaca na vegetação seca. É endêmico do Nordeste brasileiro e virou um dos alvos mais frequentes do tráfico de aves silvestres por causa do canto e da aparência, pressão que reduziu populações em várias áreas de ocorrência.

De onde vem cada cor nas penas
CorOrigemExemplo na lista
Vermelho e laranjaCarotenoides da dietaTiê-sangue e galo-da-serra
Vermelho e amarelo em papagaiosPsitacofulvinas produzidas pela aveArara-canindé
AzulEstrutura da pena, sem pigmentoArara-azul-grande e saí-azul
VerdeEstrutura azul com pigmento amarelo por cimaAraçari-de-bico-branco
Preto, marrom e cinzaMelaninasAsas do tiê-sangue
Brilho que muda com o ânguloIridescência estruturalBeija-flor-tesoura
De onde vem cada cor nas penas

Um teste simples resume a diferença entre os dois mecanismos. Triture uma pena vermelha e ela continua vermelha, porque o pigmento está dentro do tecido. Faça o mesmo com uma pena azul e o azul desaparece, porque o que produzia a cor era o arranjo microscópico da queratina, e ele foi destruído. Cor estrutural é geometria; cor de pigmento é química.

Vale lembrar que a cor tem preço. Espécies vistosas são as mais visadas pelo tráfico de animais silvestres, problema sério no Brasil e uma das razões pelas quais araras, cardeais e pássaros canoros aparecem em listas de ameaça. Observar no campo, com binóculo, é a única forma de apreciar essas aves sem contribuir para o problema.

Perguntas frequentes

Por que não existe pigmento azul em penas de aves?

Porque as aves nunca desenvolveram uma molécula que absorva todas as cores exceto o azul. A solução foi física: nanoestruturas de queratina nas barbas das penas espalham os comprimentos de onda curtos, e uma camada de melanina por baixo absorve o resto, o que reforça o efeito.

Um flamingo fica rosa por causa da comida. Isso vale para as aves da lista?

Vale para as cores que dependem de carotenoides, como o vermelho do tiê-sangue e o amarelo do gaturamo. Não vale para araras e papagaios, que fabricam os próprios pigmentos vermelhos e amarelos, nem para qualquer azul, que é sempre estrutural.

Qual é o pássaro mais colorido do Brasil?

Não há resposta única, mas a saíra-sete-cores costuma liderar as indicações por reunir cinco ou seis tons bem definidos no mesmo indivíduo. Entre as aves grandes, arara-canindé e tucano-toco disputam a preferência, e no dossel amazônico o anambé-azul é forte candidato.

Fêmeas são sempre mais discretas que os machos?

Na maioria das espécies coloridas, sim, e o motivo costuma ser a incubação: quem passa horas parado no ninho se beneficia de camuflagem. Em saí-azul e galo-da-serra a diferença é enorme. Já em araras e tucanos machos e fêmeas têm praticamente a mesma aparência.

Curiosidade Aves

O andorinhão-preto pode voar cerca de dez meses sem pousar, dormindo em planeios curtos a mais de 1.000 m de altitude.