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Quem são os beija-flores
Beija-flor não é uma espécie, e sim uma família inteira: os troquilídeos, com algo em torno de 360 espécies descritas. Todas vivem exclusivamente nas Américas, do sul do Alasca à Terra do Fogo, com a maior diversidade nos Andes tropicais. O Brasil abriga cerca de 80 espécies, presentes em todos os biomas.
A variação de tamanho dentro do grupo é enorme. O menor é o beija-flor-abelha de Cuba, com 5 a 6 cm e massa entre 1,6 e 2 g — a menor ave do mundo. O maior é o beija-flor-gigante dos Andes, que chega perto de 23 cm e passa dos 18 g, batendo as asas bem mais devagar que os primos pequenos.
- Cerca de 360 espécies, todas restritas ao continente americano.
- Aproximadamente 80 espécies ocorrem no Brasil.
- Menor ave do mundo: beija-flor-abelha, de 5 a 6 cm.
- Nomes regionais: colibri, cuitelo, chupa-flor, guanumbi e binga.
Quantas vezes o beija-flor bate as asas
A frequência depende do tamanho da espécie. Nas pequenas e médias, o padrão fica entre 50 e 80 batidas por segundo durante o voo pairado; nas maiores, cai para algo entre 10 e 20. Em mergulhos de exibição, quando o macho despenca do alto para impressionar a fêmea, medições registraram frequências acima de 200 batidas por segundo.
O segredo do voo pairado não está só na velocidade, e sim no formato do movimento. A asa gira quase inteira na articulação do ombro e descreve um oito deitado, gerando sustentação tanto na descida quanto na subida — nenhuma outra ave faz isso de forma sustentada. Por causa dessa mecânica, o beija-flor fica parado no ar com precisão de milímetros, recua em linha reta e sobe na vertical. Em voo reto alcança cerca de 50 km/h, e em mergulhos de corte alguns registros passam de 90 km/h.
O metabolismo mais acelerado entre os vertebrados
Manter esse voo custa caro. O beija-flor tem a maior taxa metabólica por unidade de massa entre todos os vertebrados: em pleno voo pairado, o coração pode bater mais de mil vezes por minuto e a respiração passa de 200 movimentos por minuto. Para sustentar o ritmo, ele queima açúcar quase em tempo real.
Na prática, ele precisa consumir por dia uma quantidade de néctar próxima ou superior ao próprio peso corporal, o que o obriga a visitar entre várias centenas e mais de mil flores. Néctar, porém, é quase só açúcar e água: as proteínas vêm de pequenos artrópodes, capturados no ar ou catados em teias, folhas e cascas.
O torpor noturno: desligar para sobreviver
Um animal que gasta tanta energia teria um problema sério à noite, quando as flores fecham e não há como se alimentar por dez ou doze horas. A solução é radical: ele entra em torpor, um estado de dormência profunda em que praticamente desliga o corpo.
A temperatura corporal cai da faixa habitual, próxima de 40 °C, para valores muito mais baixos — em espécies de altitude foram registradas quedas para menos de 10 °C, e um estudo com beija-flores andinos mediu temperaturas próximas de 3 °C. A frequência cardíaca despenca de mais de mil batimentos por minuto para algumas dezenas. Nesse estado a ave fica agarrada ao poleiro, imóvel, a ponto de parecer morta.
Sair do torpor leva tempo: o despertar dura em geral de vinte minutos a uma hora, com tremores musculares que reaquecem o corpo. É por isso que o beija-flor é uma das primeiras aves a aparecer nos bebedouros depois do nascer do sol.
- Temperatura corporal cai de cerca de 40 °C para valores muito mais baixos.
- Frequência cardíaca reduz de mais de mil para algumas dezenas de batimentos por minuto.
- O gasto de energia pode diminuir em torno de 90 %.
- O despertar leva de vinte minutos a cerca de uma hora.
Ninhos minúsculos e o papel de polinizador
O ninho é uma taça do tamanho de meia noz, construída pela fêmea com fibras vegetais, musgo e liquens amarrados por teia de aranha. A teia é escolha funcional: como é elástica, permite que o ninho se estique conforme os filhotes crescem. Dentro vão dois ovos brancos do tamanho aproximado de um grão de feijão. O macho defende um território de flores, mas quem constrói, incuba e alimenta é sempre a fêmea.
Do ponto de vista ecológico, o beija-flor é um polinizador de primeira linha. Muitas plantas brasileiras evoluíram para atraí-lo: flores tubulares, avermelhadas, sem cheiro marcante e com néctar no fundo do tubo. Ao introduzir o bico, a ave encosta a testa nas anteras e sai coberta de pólen. Bromélias, brincos-de-princesa e mulungus dependem desse serviço.
Bebedouro em casa: o que fazer e o que evitar
Alimentar beija-flores no quintal funciona, desde que a receita e a higiene estejam corretas. A solução recomendada é simples: uma parte de açúcar refinado comum dissolvida em cinco partes de água, e nada além disso. Mel favorece fungos, açúcar mascavo e adoçantes desequilibram a composição, e corantes são desnecessários — basta que o bebedouro tenha alguma peça vermelha.
A limpeza é a parte mais importante e a mais negligenciada: em dias quentes a solução fermenta em menos de 48 horas e vira meio de cultura para fungos que podem matar a ave. Ainda assim, o melhor bebedouro é um jardim — plantas nativas com flores tubulares oferecem néctar de qualidade, atraem os insetos que completam a dieta e sustentam a população o ano inteiro.
- Proporção correta: uma parte de açúcar refinado para cinco de água.
- Nunca use mel, adoçante, açúcar mascavo ou corante.
- Troque a solução a cada um ou dois dias e lave bem o recipiente.
- Plantas nativas com flores tubulares são a alternativa mais duradoura.
| Espécie | Comprimento | Peso | Destaque |
|---|---|---|---|
| Beija-flor-abelha | 5 a 6 cm | 1,6 a 2 g | Menor ave do mundo, endêmica de Cuba |
| Beija-flor-tesoura | 15 a 17 cm | 7 a 9 g | Comum em jardins do Sudeste e Centro-Oeste |
| Beija-flor-de-papo-branco | cerca de 12 cm | 6 a 8 g | Ampla ocorrência no Brasil |
| Beija-flor-gigante | até cerca de 23 cm | 18 a 24 g | Maior da família, vive nos Andes |
10 curiosidades sobre a beija-flor
- 01
O beija-flor é a única ave capaz de voar de ré de forma sustentada.
- 02
As asas descrevem um oito deitado e geram sustentação na descida e na subida.
- 03
A maioria das espécies bate as asas entre 50 e 80 vezes por segundo em voo pairado.
- 04
Um único indivíduo pode visitar de centenas a mais de mil flores em um só dia.
- 05
O coração pode ultrapassar mil batimentos por minuto durante o voo.
- 06
À noite ele entra em torpor e reduz o gasto de energia em torno de 90 %.
- 07
A língua funciona como uma micro-bomba elástica, e não como um canudo.
- 08
O ninho tem o tamanho de meia noz e é amarrado com teia de aranha, que estica conforme os filhotes crescem.
- 09
A menor ave do mundo é um beija-flor: o beija-flor-abelha, de Cuba.
- 10
Toda a família é exclusiva das Américas, sem uma única espécie nativa em outro continente.
Perguntas frequentes
Quantas vezes o beija-flor bate as asas por segundo?
Depende da espécie. As pequenas e médias batem entre 50 e 80 vezes por segundo em voo pairado, enquanto as maiores ficam entre 10 e 20. Em mergulhos de exibição, medições já registraram picos acima de 200 batidas por segundo.
Quantas flores um beija-flor visita por dia?
De várias centenas a mais de mil, conforme a espécie, a estação e a quantidade de néctar de cada flor. Ele precisa ingerir por dia uma quantidade de néctar próxima do próprio peso corporal, e por isso não consegue depender de poucas plantas.
O beija-flor dorme?
Sim, e de um jeito particular. À noite ele entra em torpor, um estado de dormência profunda em que a temperatura corporal despenca e o metabolismo cai drasticamente. Nesse estado fica imóvel e pouco responsivo, e leva de vinte minutos a cerca de uma hora para despertar.
O que colocar no bebedouro de beija-flor?
Apenas água com açúcar refinado, na proporção de uma parte de açúcar para cinco de água. Mel, adoçantes, açúcar mascavo e corantes devem ser evitados. Troque a solução a cada um ou dois dias e lave o recipiente com frequência, porque o líquido fermenta rápido no calor.
Beija-flor come só néctar?
Não. O néctar fornece energia, mas não proteína. Os beija-flores capturam mosquitinhos no ar, catam aranhas em teias e retiram pequenos insetos de folhas e cascas. Esses artrópodes são especialmente importantes na alimentação dos filhotes.