Mamíferos

Girafa

A girafa é o animal mais alto do planeta e, por causa disso, carrega soluções anatômicas que não existem em nenhum outro mamífero. Bombear sangue até um cérebro a cinco metros do chão exige a maior pressão arterial já medida no reino animal.

Giraffa camelopardalis

Mamíferos 700 a 1.200 kg (fêmeas) e 1.100 a 1.900 kg (machos) 20 a 25 anos na natureza

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Cinco metros de altura, e o que isso custa

Um macho adulto mede entre 5 e 5,5 m do casco ao topo da cabeça, com registros excepcionais próximos de 5,8 m; as fêmeas ficam entre 4,3 e 4,6 m. O peso acompanha: de 1.100 a 1.900 kg nos machos e de 700 a 1.200 kg nas fêmeas. Só as patas dianteiras já têm cerca de 1,8 m, mais que a altura da maioria das pessoas.

A altura não vem de um pescoço com ossos extras: ela se distribui entre pescoço, pernas longas e um dorso inclinado, resultado de escápulas altas e vértebras torácicas com espinhos alongados. Na cabeça ficam os ossicones, que parecem chifres mas são cartilagem ossificada coberta por pele; nos machos eles ficam calvos no topo, pelo atrito dos combates.

O coração de 11 kg e a pressão mais alta do reino animal

Para empurrar sangue até um cérebro a mais de dois metros acima do peito, a girafa mantém uma pressão sistólica em torno de 220 a 280 mmHg, cerca do dobro da de um ser humano saudável. É a maior pressão arterial registrada entre os vertebrados terrestres, e é rotineira, não patológica.

O coração pesa cerca de 11 kg em animais grandes, mas o segredo não é o tamanho absoluto: proporcionalmente à massa corporal ele não é maior que o de outros mamíferos. O que muda é a arquitetura, com a parede do ventrículo esquerdo extraordinariamente espessa e a câmara estreita. Restava então evitar dois riscos opostos, desmaiar ao levantar a cabeça e sofrer um derrame ao abaixá-la para beber.

  • Parede do ventrículo esquerdo muito espessa, com câmara estreita.
  • Rete mirabile na base do cérebro, que amortece picos de pressão.
  • Válvulas na veia jugular, que evitam refluxo com a cabeça baixa.
  • Pele e fáscias tensas nas pernas, funcionando como meias de compressão.

Sete vértebras — as mesmas que você tem

O pescoço da girafa chega a 2 m de comprimento e, ainda assim, contém apenas sete vértebras cervicais. É exatamente o mesmo número do ser humano, do camundongo e da baleia. A diferença está no tamanho de cada peça: uma vértebra cervical de girafa pode passar de 25 cm. A primeira vértebra torácica ainda tem articulações que funcionam quase como as de uma cervical, dando mobilidade extra à base do pescoço.

Esse pescoço também é uma arma. Machos disputam fêmeas em combates chamados de necking: posicionam-se lado a lado e desferem golpes de pescoço, usando a cabeça pesada como martelo. Os embates começam suaves e podem escalar para trocas capazes de derrubar um adulto. Vencer dá acesso preferencial às fêmeas receptivas, e é por isso que o crânio masculino acumula massa óssea a vida inteira.

A língua azulada e o jantar cheio de espinhos

A língua da girafa mede de 45 a 50 cm, é preênsil e tem coloração escura, entre o azul-arroxeado e o quase preto, sobretudo na porção anterior. A hipótese mais aceita para esse pigmento é a proteção contra a radiação solar, já que o animal passa horas por dia com a língua exposta enquanto se alimenta.

O cardápio preferido são folhas de acácia, árvore coberta de espinhos longos. A girafa contorna o problema com lábios grossos, papilas resistentes e saliva espessa. A planta reage: acácias atacadas aumentam a produção de taninos e liberam etileno, sinal que árvores vizinhas detectam para elevar suas defesas. Por isso a girafa come poucos minutos em cada árvore e segue contra o vento, consumindo de 30 a 45 kg de vegetação por dia.

Poucos minutos de sono, quase sempre em pé

A girafa é um dos mamíferos que menos dormem. As estimativas em vida livre variam conforme o método, indo de cerca de 30 minutos a pouco mais de 4 horas por dia, somando cochilos curtos espalhados pelas 24 horas. A maior parte desse descanso acontece de pé, em sonolência leve, com o animal ainda atento ao redor.

O sono profundo é ainda mais escasso. Nele, a girafa se deita, dobra as pernas sob o corpo e curva o pescoço para trás, apoiando a cabeça na garupa. Esses episódios duram poucos minutos por vez, porque levantar de novo exige vários segundos — tempo demais na presença de predadores.

  • A maior parte do descanso é feita de pé, em sonolência leve.
  • O sono profundo dura poucos minutos por episódio.
  • Ao dormir deitada, a girafa apoia a cabeça na própria garupa.
  • Levantar-se leva vários segundos, o que torna o sono deitado arriscado.

Filhotes, manchas e o risco silencioso

A gestação dura cerca de 15 meses e a fêmea pare em pé. O filhote cai de aproximadamente 2 m de altura, impacto que ajuda a romper o saco amniótico e estimula a respiração. Ele nasce com 1,7 a 2 m e entre 50 e 100 kg, fica em pé em menos de uma hora e corre no mesmo dia. Ainda assim, estimativas apontam que entre metade e três quartos dos filhotes não chegam à idade adulta.

O padrão de manchas é único em cada indivíduo e serve para identificar animais em campo; suas características são herdadas da mãe e podem influenciar a sobrevivência do filhote. A população africana caiu de forma acentuada desde os anos 1980 e hoje é estimada em torno de 117 mil animais, menos do que a de elefantes africanos. O processo ficou conhecido como "extinção silenciosa", por ter avançado com pouca atenção pública.

Girafa e ser humano: os mesmos ossos, em outra escala
CaracterísticaGirafaSer humano
Altura4,3 a 5,5 m1,5 a 1,9 m
Vértebras cervicais77
Peso do coraçãocerca de 11 kgcerca de 0,3 kg
Pressão sistólica típica220 a 280 mmHgperto de 120 mmHg
Sono por dia30 minutos a 4 horas7 a 9 horas
Gestaçãocerca de 15 mesescerca de 9 meses
Girafa e ser humano: os mesmos ossos, em outra escala

10 curiosidades sobre a girafa

  • 01

    A girafa tem sete vértebras no pescoço, o mesmo número que nós — cada uma pode passar de 25 cm.

  • 02

    O coração de um adulto pesa cerca de 11 kg e move sangue a mais de dois metros de altura.

  • 03

    A pressão arterial dela é a mais alta já medida entre os vertebrados terrestres.

  • 04

    Uma rede de vasos na base do crânio impede que ela desmaie ao levantar a cabeça.

  • 05

    A língua chega a 50 cm, é preênsil e tem cor escura, provavelmente como proteção solar.

  • 06

    O sono profundo acontece em episódios de poucos minutos, com a cabeça apoiada na garupa.

  • 07

    O filhote nasce de uma queda de cerca de 2 m e fica de pé em menos de uma hora.

  • 08

    Machos lutam desferindo golpes de pescoço, usando o crânio pesado como martelo.

  • 09

    O padrão de manchas é único em cada indivíduo e é parcialmente herdado da mãe.

  • 10

    Ao andar, a girafa move as duas patas do mesmo lado juntas, num passo chamado de marcha lateral.

Perguntas frequentes

Quantas vértebras tem o pescoço da girafa?

Sete, exatamente como o nosso e como o de quase todos os mamíferos. A diferença é o tamanho: cada vértebra cervical pode ultrapassar 25 cm. A primeira vértebra torácica ainda tem articulações que ampliam a mobilidade da base do pescoço, funcionando quase como uma oitava peça.

Por que a girafa não desmaia ao abaixar a cabeça?

Porque vários sistemas atuam juntos. Válvulas na veia jugular impedem o refluxo de sangue, e uma rede de vasos finos na base do crânio, a rete mirabile, amortece a variação brusca de pressão. Nas pernas, pele e fáscias muito tensas evitam que o sangue se acumule nas partes baixas.

Quanto tempo a girafa dorme por dia?

Pouco, e em cochilos curtos. As estimativas em vida livre variam de cerca de 30 minutos a pouco mais de 4 horas por dia, quase sempre em pé. O sono profundo, deitada e com a cabeça apoiada na garupa, dura apenas alguns minutos por episódio.

Por que a língua da girafa é azulada?

A explicação mais aceita é proteção contra radiação solar. Como o animal passa várias horas por dia se alimentando com a língua exposta, o pigmento escuro na porção anterior reduziria o risco de queimadura.

A girafa está ameaçada de extinção?

Sim. A espécie é classificada como vulnerável e a população africana caiu bastante nas últimas décadas, sendo estimada hoje em torno de 117 mil animais. Algumas populações regionais estão em situação pior, e o processo ficou conhecido como extinção silenciosa.